Dois episódios especiais de Needle and New Thread (Agulha e Novo Fio) estão dando abertura ao assunto de igualdade de direitos no Oriente Médio e Norte da África (MENA), com pesquisa de campo, comentários de espectadores e convidados especiais dando luz ao assunto com a perspectiva Cristã.

O Oriente Médio e o Norte da África são ricos em história, cultura e tradição. Entretanto, uma região com história que surgiu há milhares de anos também está sujeita a certos ideais sociais ultrapassados, esteriótipos, discriminação e papéis definidos.

Dois novos episódios especiais promovendo discussões de igualdade de direitos foram produzidos por Needle and New Thread, o canal SAT-7 ARABIC destina esse programa para as mulheres, para ajudá-las no aprendizado de seus direitos.

O DIREITO À HERANÇA

Um dos episódios discutiu o tópico de igualdade e o direito das mulheres à herança. No Oriente Médio, muitas famílias têm discriminação entre homens e mulheres na hora da herança, favorecendo os homens. Além disso, o episódio trouxe a tona o fato de que as famílias que decidem tratar seus filhos igualmente e dividem a herança igualmente entre os filhos e filhas, frequentemente sofrem opressão social.

O programa mostrou reportagens de Mínia, no Egito, onde as pessoas discutiram o tópico da injustiça em relação à herança, e outros tipos de discriminação que ainda existem entre homens e mulheres.

VALORES ACIMA DO DINHEIRO

O convidado, Pastor Marco Shokry da Igreja Evangélica em Fayoum, no Egito, compartilhou suas ideias sobre o tópico:

“Os valores que eu ensino aos meus filhos são mais importantes que o dinheiro que eles herdarão de mim. Os filhos herdam muitas coisas dos pais e das mães que são mais importantes do que o dinheiro… Os valores precisam ser revisados e introduzidos novamente para as pessoas, também devemos aplicar esses valores em nossas crianças acima de tudo,” Shokry comentou.

Uma entrevista pré-gravada com Samir Youssef Yanni, ancião da Igreja Evangélica em Malavi discutiu o tópico de uma perspectiva cristã.

“Discriminação é contra a vontade de Deus. Você pode imaginar Deus nos julgando no final de acordo com nosso gênero? Eu vi alguns casos de pessoas que quase contrataram um assassino para dar fim em alguém para essa pessoa ficar com a herança. Ganância faz a pessoa ficar cega, esquecendo o que é certo e o que é errado.”

COMENTÁRIOS DE ESPECTADORES REVELAM QUE AINDA HÁ TRABALHO A SER FEITO

Muitos espectadores, homens e mulheres, ligaram ou enviaram mensagens ao programa para compartilharem sua opinião. Alguns comentários de espectadores mostraram claramente que ainda há trabalho a fazer para quebrar esses esteriótipos antigos e a visão da sociedade sobre a posição das mulheres.

“Sim, infelizmente essas são tradições sociais errôneas,” um homem do Egito compartilhou, “mas elas mudarão somente quando a esposa for capaz de ganhar o amor e a confiança de seus sogros.”

Comentários como esse mostram que por um lado, as pessoas concordam que esses costumes são antiquados, mas por outro lado, esse espectador coloca a responsabilidade sobre a mulher em ganhar o amor e confiar nos seus sogros, como se isso não devesse ser dado naturalmente.

Um outro espectador compartilhou uma perspectiva mais atualizada:

“Discriminação é contra a narureza, mas infelizmente é inerente à nossa sociedade. Para mudar a sociedade, deve haver um grande colapso nesses valores inerentes. Então, nós devemos começar com mudanças simples, pois se as mulheres pegarem seus direitos pela força, haverão conflitos. Apenas com sabedoria e com calma elas poderão conseguir seus direitos, em vez de conflitos e confrontos”

ORIENTANDO MULHERES A PROTEGER SEUS DIREITOS

Em outro episódio, a convidada especialista em questões de gênero e palestrante, Ghada Mostafa, explicou que educação e conscientização sobre igualdade de direitos tem que começar em casa, nas escolas e pela mídia. “Nós precisamos de uma geração que entende igualdade.”

Ela também compartilhou que existem muitas organizações que estão orientando as mulheres em como proteger seus direitos. “Essas organizações podem ajudar as mulheres a proteger seus direitos no local de trabalho e quando sofrem discriminação em casa, mas as mulheres precisam aprender a falar para poderem ser ajudadas.”