“Temos medo de nossos filhos e da sociedade”, diz Fadia*, que falou no programa You Are Alone (Você Não está Sozinho) do canal SAT-7 ARABIC sobre o abuso que ela enfrenta e o estigma que a mantém presa. O apelo de Fadia, que mostra a milhões no Oriente Médio os danos da violência doméstica, ocorre quando há relatos de abuso durante a pandemia causada pela COVID-19.

“Eu sou espancada todos os dias, com ou sem razão. Fui abusada e ainda sou”, diz Fadia, que fala no programa de uma rua libanesa para evitar ser ouvida em casa. “Às vezes desejo a morte, mas quem cuidará dos meus filhos? Estou sofrendo muito. Um dia, depois que meu marido me bateu com força, desci a rua e estranhos ficaram com tanta pena de mim que choraram quando viram como eu estava.”

Falando com a apresentadora Sirene Semerdjian, Fadia compartilha como temia deixar o casamento porque não seria capaz de proteger seus filhos, que também foram espancados. “Ele os tirava de mim”, diz ela. “A lei não me protegeria 100%.” De qualquer forma, ela diz: “Como posso sobreviver? Devo morar na rua? Não há lugar seguro para mim. “Fadia trabalha como faxineira e, devido às condições econômicas do Líbano, ela ainda precisa de ajuda de familiares para sobreviver.

O estigma social do abuso doméstico também impediu a Fadia de procurar ajuda. Sua família sabe que Fadia é abusada, ela diz, e já confrontou o marido muitas vezes. “Mas quanto mais eles interferem, pior fica.” No entanto, em quase duas décadas, ninguém no local de trabalho da Fadia descobriu os abusos que ela enfrenta em casa. “Temos medo da sociedade”, diz ela. “As pessoas zombavam de nós e fofocavam sobre nós. Quero proteger meus filhos e a dignidade deles.”

No final da ligação de nove minutos, Semerdjian incentiva Fadia e explica que ela a conectará a uma organização que pode ajudá-la a escapar do abuso. “Tudo bem”, diz ela. “Eu posso falar com eles e tentar.” Desde então, a SAT-7 conectou a Fadia à organização local.

A ligação de Fadia é uma prova irrefutável da crueldade e injustiça da violência doméstica, em uma região onde as taxas de abuso são altas, mas as vozes dos sobreviventes raramente são ouvidas. Durante a quarentena por conta do coronavírus no Oriente Médio e Norte da África, os casos de abuso doméstico dispararam; no Líbano, foram feitas 938 ligações para uma linha direta de violência doméstica no mês de maio, que foi quase o dobro do número realizado em abril[1]. Na Turquia, onde as taxas de violência contra mulheres já eram muito altas, os relatórios à polícia de Istambul aumentaram 38% em março.

O programa é um dos muitos programas da SAT-7 que oferecem uma plataforma para vozes que geralmente não são ouvidas. O programa também apresentou recentemente uma vídeo chamada com um refugiado sírio que falou de seu medo do coronavírus chegar ao campo onde ele mora. Amplificar essas vozes aumenta a conscientização sobre os problemas entre milhões de telespectadores no Oriente Médio e Norte da África e faz parte de um objetivo mais amplo de promover a igualdade, os direitos das minorias – incluindo a liberdade de religião e crença – e os direitos das crianças. Além do telefonema da Fadia, vários programas da SAT-7 abordaram recentemente a violência doméstica, incluindo medidas de prevenção e a falta de proteções legais.

Ore, por favor

Ore por Fadia, pedindo a Deus que rodeie ela e seus filhos com sua proteção e dê a eles a força e os recursos necessários para construir uma nova vida em segurança.

Peça ao Senhor que proteja todos aqueles em risco de abuso doméstico ou violência, pois o coronavírus continua colocando mais pressão nas famílias.

Ore para o programa You Are Not Alone e outros programas da SAT-7 que abordam a violência doméstica sejam eficazes para quebrar o estigma social que ajuda a manter as vítimas presas.

*Nome alterado para proteger a identidade.

[1] Fonte: KAFA